30.4.26

Planeta favela

Na beira do rio poluído, rio-esgoto como tantos rios do Brasil, juncado de destroços, restos de comida, trapos, eletrodomésticos, latas de cerveja, garrafas, pinos de cocaína, bitucas de cigarro, merda humana, pneus, parecia um território em guerra, eu dera com um gato morto, obviamente torturado e cortado por algum delinquente subdesenvolvido da periferia do sul. O gato era pouco mais do que um amontoado de pelo se decompondo, um esqueleto cheio de vermes acumulados no corte de seu ventre, à beira do líquido tóxico do canal. Via-se, à volta do que sobrara da garganta também aberta pelo canivete do marginal nativo, uma correntinha encharcada de sangue e terra a mostrar que o bichano pertencera a alguém. Belo animal que hoje não passava de uma carniça repugnante, apodrecendo na torpeza da cidade corrupta.