15.4.26

Vida intelectual


A superestrutura é a expressão da infraestrutura. As condições econômicas, sob as quais a sociedade existe, encontram-se na superestrutura a sua expressão. 

Walter Benjamin

Lembro-me de que a Folha de São Paulo tinha categoricamente um suplemento literário. O caderno Mais!, que era publicado aos domingos. A edição dominical apresentava uma excelente curadoria de criação intelectual com bons ensaios e artigos. A crítica tinha peso e seu espaço garantido no meio do jornalismo efêmero.

Antonio Candido e Décio de Almeida Prado também marcaram o jornalismo cultural ao fundar em 1956 o Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo. Homens como eles não existem mais.

O caderno Mais! teve a sua morte decretada em 2010 quando o mercantilismo cego combinado a uma aversão à cultura letrada tomou conta do país. Suprimiu-se com a velocidade da internet a qualidade dos textos. Tudo parece que deve conter o ânimo comercial e um candidato popular. Pedagogicamente sabemos que não há lição pior, porque forma-se uma sociedade perversamente ignorante.

Nesse contexto, o jornalismo de assessoria reacionária torna-se dominante. Basta manipular a linguagem: o coloquial vulgar e a simples pornografia do sistema. Os sinais da sociedade arcaica ficam assim expostos, dignos de aplauso de pessoas com muito pouca instrução.

Fruto do epistemicídio nacionalista, também o ensino formal mostra os sinais do atraso, versinho ruim da música comercial para os miúdos substituindo a prática de leitura, o acolhimento correto da procura de sentido para a vida. A gritaria sobrepõe a argumentação.

Daí a má qualidade: improvisação e sensacionalismo para as massas. Os leitores entram em extinção e a morte da palavra escrita (fonte de consciência crítica) são decretados. Restam como resíduos da sociedade de consumo a cultura oral, a produção coloquial de pouquíssima imaginação, o populismo e o primado de indecência.