É notável em todos os meios de comunicação do populacho brasileiro a ausência de narrativas que constituem temporalidade, que se abrem para utopias e perspectivas para imaginar um outro mundo.
Na cultura do instantâneo, o subdesenvolvido opera sob as políticas de gestão do capital - somente um lado prospera - e as políticas industrias que tornam imprestáveis os aparelhos do mundo do consumo. O subdesenvolvimento está bem planejado.
O grito do desesperado empobrecido tem baixa eficácia política, bem como suas expressões artísticas e certas performances de protestos. No máximo que os desorganizados conseguem é interromper momentaneamente a ordem neoliberal. Pouca causa, pouca motivação e pouca organização. Tanto com a esquerda quanto com a direita nas administrações públicas a ordem capitalista segue o seu destino: gentrificando, desalojando, desempregando, explorando, precarizando, arruinando, apagando memórias e sujeitos, destruindo o meio ambiente, potencializando as relações desiguais de poder entre gêneros, marcando, retaliando, etc.
A cumplicidade acritica com a opressão econômica encontra-se em todos os espaços. A pós-doutora escreve como uma freira, a massa se identifica com o machismo, a reprodução de estereótipos e os preconceitos religiosos. Esses são os denominadores comuns dos incultos e perversos. O fundamentalismo define o "nós" sem cultura, sem luta de classes, sua visão maniqueísta estigmatiza ainda mais os excluídos e perpetua a miséria. Não há nenhuma chave de leitura possível, oposição alguma, proposta para mudar a ordem dominante, renovação de perspectivas. O reino do senso-comum tem suas muralhas reforçadas e impenetráveis.