último bilhete ao telefone
que grandes amigos eu fui arranjar. o último, já nem mais ao telefone:
- cê taí, meu caro? nenhuma respiração do outro lado da linha.
nada.
mas partindo do nada que começo a perceber como tenho cultivado tudo como verdadeiro e que nunca atingi como fim aquela possível realidade. o que se conquista, afinal? ou não se conquista nada? vultos? ou o máximo que nos sobra está acomodado dentro do saquinho de veludo: um punhado de esmaecimentos afetivos: equívocos: sombras acompanhadas da passagem das horas. um risco. um esboço. um rosto. um assombro. um bafo. um.
que impressão causo para afastar as pessoas de mim tão rápido assim é o encontro? dessas pessoas com cara de cachorro. que chegam, abanam o rabo, cheiram e me desprezam. o que há contigo?, foi o que perguntaram da última vez. por que comigo? meu modo de andar? mas hoje calcei, visto aqui, ao lado da minha cama, o meu sapato mais lustroso com ponta de bico. o corte de cabelo? e aquele gel, não fica bem? deve ser culpa da minha fisionomia oca e amarronzada
ui! que cheiro, ouvi dia desses de uma moça que tapava o nariz atrás de mim na fila do restaurante.
meu reino por uma flauta feita de minha vértebra. algumas notas surdas compostas pelas cores da manhã. ou saindo de mim uma leve divagação matutina. qual foi a última vez mesmo? se ao menos o último amigo dos que não tive atendesse o telefone:
- continua aí? enfim, pergunto. persistente.
- ... - nenhuma respiração do outro lado da linha.
que grandes amigos eu fui arranjar. o último, já nem mais ao telefone:
- cê taí, meu caro? nenhuma respiração do outro lado da linha.
nada.
mas partindo do nada que começo a perceber como tenho cultivado tudo como verdadeiro e que nunca atingi como fim aquela possível realidade. o que se conquista, afinal? ou não se conquista nada? vultos? ou o máximo que nos sobra está acomodado dentro do saquinho de veludo: um punhado de esmaecimentos afetivos: equívocos: sombras acompanhadas da passagem das horas. um risco. um esboço. um rosto. um assombro. um bafo. um.
que impressão causo para afastar as pessoas de mim tão rápido assim é o encontro? dessas pessoas com cara de cachorro. que chegam, abanam o rabo, cheiram e me desprezam. o que há contigo?, foi o que perguntaram da última vez. por que comigo? meu modo de andar? mas hoje calcei, visto aqui, ao lado da minha cama, o meu sapato mais lustroso com ponta de bico. o corte de cabelo? e aquele gel, não fica bem? deve ser culpa da minha fisionomia oca e amarronzada
ui! que cheiro, ouvi dia desses de uma moça que tapava o nariz atrás de mim na fila do restaurante.
meu reino por uma flauta feita de minha vértebra. algumas notas surdas compostas pelas cores da manhã. ou saindo de mim uma leve divagação matutina. qual foi a última vez mesmo? se ao menos o último amigo dos que não tive atendesse o telefone:
- continua aí? enfim, pergunto. persistente.
- ... - nenhuma respiração do outro lado da linha.
