12.6.12

estórias do senhor G.


O senhor G. gosta, mas gosta mesmo de uma anotação; um verdadeiro comedor de papel, diria quem convive ao lado dele diariamente. Tomado por este vício (comer papel, o qual transcende o bem e o mal, segundo a teoria desse humilde e servo senhor) quis felicitar sua noiva com um bilhetinho afixado na porta da geladeira. E compartilha com vosotros o trecho do romance fatiado:

[...]

O apartamento deles raramente estaria em ordem, mas a própria desordem seria seu maior charme. Mal se ocupariam da casa: viveriam ali. O conforto do ambiente lhes parecia uma obviedade, um dado inicial, um estado da natureza. A atenção de ambos estaria em outra coisa: no livro que abririam, no texto que escreveriam, no disco que ouviriam, no seu diálogo reiniciado a cada dia. Trabalhariam muito tempo. Depois jantariam ou sairiam para jantar; encontrariam os amigos; dariam uma volta juntos.


O senhor G. Este.