30.8.12

dias & dias


Être un homme utile m'a paru toujours
 quelque chose de bien hideux.

[C. B.]

fatia de pão

O que me encanta nalgumas cidades, fora o verde que não virou bosque ou parque, são as esquinas de fim de tarde. As esquinas escurecem ajudadas pelas árvores, nas mais variadas espécies e porque também (da licença, meu) é a vez da lua, ora bolas. Sai o Sol, vem a Lua vestida de estrelas.

Lá por sete horas, eu paro as minhas atividades e saio prum rolê. Escolho uma esquina, acendo um cigarrinho e puxo lero cum tempo. Volta e meia, neste raro prazer dos dias, pinta um passarinho querendo uma ideia. Passarinho xô! que não sou de voar. Passarinho vai.

Longe, invejo o seu voo. Inveja boa, porque eu queria viver simplesmente como um passarinho. Comer sementes: ser leve, i.e. dormi com a noite, acordar com o dia. Sem programações para tardar. Caio em contradição, bem sei.

Passarinho canta na minha janela, antes das seis da manhã. Passarinho madrugador. Passarinho camarada.

Na hora do café, antes do rolê, pousa no pé de lichia um casal ressabiado de sabiá. Árvore copada esconde os passarinhos. Mas vejo por um buraco, entre um galho e outro, o casalzinho mínimo se brimbicando.

A lichia é uma árvore alta: em torno dos seus três a quatro metros de altura. Se um palmo tem vinte e cinco centímetros, vai lá. Não é a toa que as folhas dessa árvore chamam prum mergulho de utopia.