Não é exagero dizer que o álcool executou um papel chave na epidemia de fascismo, racismo, estadismo, imperialismo, colonialismo, sexismo e patriarcalismo, opressão de classe, desenvolvimento desgovernado de tecnologias, superstição religiosa e outras coisas malignas que varreram a Terra durante os últimos poucos milênios. Ele continua a executar este papel hoje, quando as populações de todo o mundo, finalmente universalmente domesticadas e escravizadas pelo capitalismo global, são mantidas pacificadas e impotentes por um estável estoque de bebidas alcoólicas. As bebidas gastam o tempo, dinheiro, saúde, foco, criatividade, consciência e companheirismo de todos os que habitam esse território universalmente ocupado – “trabalho é a maldição das classes bebedoras”, como disse Oscar Wilde. Não é surpreendente, por exemplo, que o alvo principal da publicidade da bebida de malte (um subproduto tóxico do processo de fabricação de cerveja) é os habitantes dos guetos nos EUA: pessoas que constituem uma classe que, se não tranquilizadas pelo vício e incapacitadas pela autodestruição, estariam na linha de frente da guerra para destruir o capitalismo.
Civilização – e tudo nocivo e malévolo que ela produz – irá desmoronar quando surgir um movimento de resistência que possa barrar a inundação de álcool que imobiliza as massas. O mundo espera agora por uma sobriedade que possa se defender, por uma visão radical não anuviada por bebidas, por uma sobriedade revolucionária que nos retornará ao extático estado selvagem.
