5.3.20

A máquina de fim de mundo

Rios Voadores | 2017

É preciso imaginar um trator com uma lâmina de 3 metros de comprimento, evoluindo a 756km/h durante quarenta anos sem interrupção: uma espécie de máquina de fim do mundo. Segundo o conjunto de estimativas, isso representa 42 bilhões de árvores destruídas, isto é, duas mil árvores derrubadas por minuto ou 3 milhões por dia. É uma cifra difícil de imaginar por sua monstruosidade. E aqui falamos apenas de corte raso. Raramente se evocam as florestas degradadas pelo homem, todas essas zonas que as fotos dos satélites não distinguem e onde não restam senão algumas árvores que mascaram um desmatamento mais gradual. Trata-se neste caso de regiões inteiras nas quais a floresta não é mais funcional e não age mais como um ecossistema. Segundo os índices de degradação colhidos entre 2007 e 2010, essa zona cobre 1,3 milhões de km2, de modo que a área de corte raso e a de degradação representam juntas cerca de dois milhões de km2, ou seja, 40% da floresta amazônica brasileira.

Antonio Nobre