5.3.20

Antimilitarismo e Anarquismo

Prensa Antifa

Segundo as definições da honra militar, o soldado profissional está "acima da política". Em qualquer sociedade autoritária estar acima da política significa que o oficial está comprometido com o "status quo". O conservadorismo militar proclama ser imprescindível a propriedade privada como base de uma ordem política estável, ou a propriedade vinculada ao Estado, como nos países comunistas. E é da doutrina militar que as guerras são inevitáveis: que a natureza do homem faz com que a violência organizada seja o árbitro final entre as nações.

Noam Chomsky, num artigo sobre as questões que envolveram a Guerra do Golfo, expressa bem o papel dos EUA como atual explorador do "virtual" monopólio do mercado de segurança, como meio de obter concessões econômicas de outros países por serviços prestados como policiais de aluguel do mundo inteiro.

Mas o grande problema do militarismo, a mais séria questão a ser encarada e que só o movimento anarquista coloca, está além da estrutura da organização militar. Por que fracassam todas as conferências de paz? Não tem efeito todos os movimentos de jovens de todo o mundo pela cessação das intervenções armadas? Muita gente neste mundo é pacífica. Luta contra a guerra. Mas o grande e mais poderoso inimigo da paz está na “indústria da morte”, o grande complexo industrial militar. As economias dos países do primeiro mundo, principalmente os EUA, são altamente militarizadas. Os donos das grandes empresas, das grandes corporações, bancos, inclusive, mais do que qualquer outro grupo social detêm os efetivos instrumentos do poder político, ocupam posições estratégicas no governo, e fazem a política em nome de toda a nação. Esses grupos acumulam lucros exorbitantes, fabulosos, na indústria de armamentos. Fomentam as guerras, frias e quentes, limitadas ou amplas, manifestam as intervenções militares e são responsáveis pelos riscos que ameaçam a humanidade. A vida norte-americana assumiu o feitio de uma nação em guerra permanente e o desarmamento pra valer seria uma ruína econômica em termos capitalistas. O poderoso parque industrial de bens de consumo que serve à imagem externa dos EUA tornou-se um gigantesco complexo industrial-militar. Os industriais da morte exercem poderosa e sinistra influência no mundo de hoje. no mundo capitalista não há conciliação entre o ideal de paz e a sede de lucros desses monopólios, dessas multinacionais da morte, que nunca se satisfazem.

Atualmente, em torno de dez milhões de pessoas trabalham na indústria da arma e munições dos EUA. Todo o relativo conforto dessa gente repousa no sacrifício de soldados e na dizimação de povos estranhos a eles. Daí, as consequências desastrosas, que se estendem para países dependentes da esfera do dólar. Daí, o aviltamento dos preços de exportação desses países, controlados que são pela demanda da indústria norte-americana.

Os grupos que auferem lucros de armamentos e da guerra têm responsabilidade maior pela situação tensa com que toda a humanidade se defronta. Eles contam com a colaboração de economistas acadêmicos e de instituições oficiais, para elaborar técnicas econômicas para aperfeiçoar a eficiência do militarismo e para solidificar o papel por ele desempenhado na economia global. Hoje, a associação de interesses que lucram com os armamentos é o fator mais importante na promoção da corrida armamentista. Numa aquisição de US$30 bilhões correspondentes a equipamentos, suprimentos, e serviços comprados pelas forças armadas e pela Comissão de Energia Atômica dos EUA. Os lucros foram de US$13,3 bilhões antes da taxação e de US$6,4 bilhões depois, considerando um imposto de renda de 52%. Os lucros obtidos na indústria eletrônica e na exploração de novos metais para uso militar são fantásticos, para uma demanda criada pelo avanço tecnológico. As universidades participam intensamente nas pesquisas e na preparação de pesquisadores caracterizando um dos mais sombrios aspectos que o professor Maurício Tragtenberg chamou de “delinquência acadêmica”.

Todos os países do mundo poderiam pagar sua dívida externa se lhes fossem concedidos em investimentos produtivos um décimo do total despendido com armas.