La Boétie afirma que nenhuma tirania pode assentar (unicamente) na força: uma certa cumplicidade - pelo menos passiva - do povo é absolutamente necessária. São os homens que se sujeitam à servidão e colocam o nó na sua própria garganta: por outras palavras, sustentam a tirania tecendo uma gigantesca rede de laços servis, inteiramente dependentes do poder supremo. Cada indivíduo, num sistema deste, é simultaneamente oprimido e opressor, cúmplice e vítima.
La Boétie demonstra que a política (concebida como um espaço de liberdade partilhada) não é obra nem de deus nem do príncipe.
O Discurso sobre a servidão voluntária foi escrito em 1548.
