Todo um leque de plataformas e aplicativos não só permitiu como também recompensou comportamentos sociopatas. [...] Uma vez que a comunicação humana se aloja em um sistema personalizado de acordo com as prioridades das corporações globais, das forças armadas, das agências de investigação, do crime organizado, dos traficantes sexuais e de operadores depravados de todos os tipos, deixa de haver prestação de contas para quem quer ou o que quer que seja. Eis aí o livre mercado não regulado quintessencial do capitalismo tardio. [...] A patologia da internet não está no que é transacionado em seus circuitos menos acessíveis, mas na naturalização do modo como nossas necessidades, desejos e afeições são desviados ou apartados do compromisso com o cuidado com um mundo vivido em comum com os outros. É impossível viver com as temporalidades e os valores de um mundo sob demanda, e os apetites por ele estimulados são terminantemente insaciáveis.
