1.6.25

Por que não me ufano


Difícil contestar a afirmativa de que o brasileiro é alienado, desabrigado, exilado e sem cultura, que se sente recusado, que a "realidade lhe é difícil". Um belo exemplo disso é a vivência das cidades, aglomeração que se espalha qual doença de pele ou câncer pela planície, sem nenhum planejamento, mas seguindo impulsos do momento: especulação imobiliária, instalação acidental de indústria e comércio, loteamentos feudais. A pobreza de estrutura é geneticamente inerente no organismo nacional.

Cidades europeias e americanas passaram no fim do século XIX por expansão caótica tal qual São Paulo, por exemplo, mas sempre conseguiram conservar um núcleo e dar estrutura e apoio aos habitantes. Mas o brasileiro não tem apoio, nem sequer um rio limpo, não consegue formar elos humanos com os "vizinhos" e preservar sua natureza local. Educação foi para o ralo. Há outras cidades de alienação comparável, como Rio de Janeiro e Curitiba, e a alienação das cidades pequenas é igualmente acentuada e mais preocupante.