Ressaltemos que o ensino é levado a produzir subjetividades da maneira mais artificial possível, em particular durante a primeira etapa da formação, quando os "professores" se reúnem para improvisar cenas que perpetuam o epistemicídio e atrasam o desenvolvimento da consciência racional. Esse tipo de performance favorece o abandono das atividades com base na ciência e apoia abertamente o domínio da indústria cultural. A classe docente (ou o que se convencionou chamar tal coletivo de funcionários iletrados) não consegue veicular seu próprio sistema de modelização da subjetividade ou uma certa cartografia feita de demarcações cognitivas.
A escola não é espaço de experimento e de existências singulares, ela não está apta a produzir um novo tipo de subjetividade e da tomada de consciência, ela não modifica a forma de ver e de viver mas perpetua o status quo que favorece o conservadorismo social e os reacionários. Não há uma nova relação com o mundo, e o colégio jamais será um lugar reservado à inovação e, principalmente, à prática de leitura. A escola é o anti-prazer do saber, da prática de ler, da incógnita, não é um lugar de vida, mas de alienação infantil. Na escola-prisão não se confere uma nova nota institucional, não se confere uma tentativa de transmutação das mentalidades, não se procura novos temas e variações, não se confere marca singular e autêntica, nem mesmo a criação de corpos que superem o comportamento antissocial produzido pelo mass-mídia. Não há contexto para algo brilhante e inteligente ser desenvolvido, repete-se o vazio e não há o mínimo esforço de recriar inteiramente as relações segregacionistas da própria instituição. Não há desejo de sair da mediocridade e muito menos uma evolução das mentalidades. A escola é um sistema de tratamento animal, pois que tipo de experiência os pequenos poderão ter dentro de uma estrutura de tipo carcerário? Ao criticar a estrutura de ensino, percebe que é toda uma concepção do "serviço público" que se deve rever.