SOMOS TODOS ANÔNIMOS estampados em outdoors. Você deitado no sofá tomando pequenos goles de cerveja e apreciando aquele mosquito no teto branco do seu ap. Na mesinha de centro, algumas tentativas literárias que estiveram eternamente engavetadas. Vergonha! Os discos do Chico Buarque, Nara Leão e Iron Maiden riscados. Na estante abarrotada os livros do Kafka e da nova geração de escritores transgressores geração 90. Gibis. Oroboro. Etcétera. Entrelivros. Fotocópias inúteis em arquivos mortos separados por datas = UFPR – 1999. Ano 1. A jaqueta surrada pendurada na porta. A mochila vazia com apenas o penal. Os quadros mal observados – por nós – na parede. Cadê o seu olhar? O computador entulhado de mp3 surdas. A tese de mestrado dentro de um saco plástico, sufocada. Mais 2 anos de empenho e... Um emprego como professor de literatura numa escolinha particular (indicação de um professor da universidade. Você era um aluno aplicado), lendo alguns versos para adolescentes atentos que estouram (com prazer) chicle na sua cara – lembre-se, o primeiro tiro é sempre na tua... PÁ!! – e você lá, sonhando em um dia ver sua tese publicada numa editora de renome, com orelha assinada por um grande nome da critica literária. Na estante, em fusão com os livros, três dvds: Cidadão Kane, Beleza Americana e a cópia do filme dirigido por Beckett, que foi passado pela professora da faculdade na conversa de dois surdos. Agora seu último pique: prestar vestibular para cinema, na FAP, pensando ser o novo Win Wenders.