25.2.09

estórias do senhor G.

[natureza morta. vincent van gogh. 1889]

O senhor G. comprou um cachimbo. E com ele agora também deu pra andar com um poema de Fernando Pessoa anotado num de seus caderninhos de viagens. O senhor G. pergunta:

- Querem que eu leia?

O próprio senhor G. responde:

- Pois bem

Segue o teu destino,/ Rega as tuas plantas,/ Ama as tuas rosas./ O resto é a sombra/ De árvores alheias.//A realidade sempre é mais ou menos/ Do que nós queremos./ Só nós somos sempre/ Iguais a nós-próprios.// Suave é viver só./ Grande e nobre é sempre/ Viver simplesmente/ Deixa a dor nas aras/ Como ex-voto aos deuses.// Vê de longe a vida./ Nunca a interrogues./ Ela nada pode/ Dizer-te. A resposta/ Está além dos deuses// Mas serenamente/ Imita o Olimpo/ No teu coração./ Os deuses são deuses/ Porque não se pensam.

O senhor G. construiu um altar para cada heterônimo e aprendeu a cuidar do seu jardim. O senhor G. aconselha todos a cultivarem o seu pequeno mundo. O senhor G., no entanto, para terminar, pede licença para regar suas plantas.

O senhor G. Este.