3.4.25

Por que não me ufano


A construção de Brasília não apagou o passado colonial do Brasil e muito menos deu conta da pobreza e das favelas das cidades costeiras.

Brasília não criou nada de novo. A "cidade moderna" possui uma das maiores favelas do país. A forma idealizada da modernidade tardia não conseguiu criar uma barreira contra a corrupção sistêmica, contra a perpetuação da miséria. Tudo continua corrupto e pouco imaginativo para o terceiro mundista.

2.4.25

Por que não me ufano


Qual a vantagem de se permanecer vivo num país onde as pessoas foram privadas da dignidade? O valor, o mais precioso dos valores humanos, o atributo sine qua non de humanidade é uma vida de dignidade e não a sobrevivência a qualquer custo. Mas, em uma sociedade subdesenvolvida, a dignidade tem pouca utilidade. O que demanda é a exploração.

Numa sociedade perpetuamente subdesenvolvida e perversa não se pode legalmente desejar a perfeição e a intelectualidade. Não se pode adotar a beleza e a virtude. Onde reina a ganância, pouco efeito se dá ao tentar persuadir os habitantes e a classe dominante a se comportarem de modo virtuoso. Ternura e atenção não são práticas do terceiro mundista que sequer sonha com uma boa sociedade.

1.4.25

Sombra - uma parábola

Alone, stencil | verão de 2015

Vocês, que me leem, estão ainda entre os vivos, mas eu, que escrevo, desde há muito ingressei no reino das sombras. Pois, em verdade, coisas estranhas acontecerão, e coisas secretas serão reveladas, e muitos séculos decorrerão antes de os homens terem conhecimento destas memórias. E, quando o tiverem, mostrarão uns descrença, outros dúvida; poucos hão de achar sobre que refletir nas palavras aqui traçadas com pena de ferro.

Foi um ano de terror, e de sentimentos mais intensos que o terror. Sentimentos para os quais até hoje não se achou nome apropriado. Muitos prodígios e sinais haviam ocorrido; em toda parte, sobre mar e terra, a pestilência estendera suas asas negras. Para aqueles versados nos astros, não passara despercebido o aspecto mórbido dos céus. Para mim, Oinos, o grego, assim como para outros, era óbvio que ocorrera a alteração do ano 794 quando, à entrada de Áries, o planeta Júpiter põe-se em conjunção com o rubro anel do terrível Saturno. O espírito peculiar dos céus, se não me engano demais, evidenciava-se não só na órbita física da Terra, como também nas almas, nas imaginações, nas meditações da humanidade.

Ao redor de algumas garrafas de rubro vinho de Quios, entre as quatro paredes de um nobre vestíbulo numa cidade sombria chamada Ptolemais, estávamos sentados, um grupo de sete, à noite. Para nossa câmara não havia outra entrada além da alta porta de bronze, trabalhada pelo artífice Corinos. Fruto de hábil artesanato, fora aferrolhada por dentro. Cortinas negras ocultavam-nos a vista da lua, das estrelas lúridas, das ruas despovoadas, embora não excluíssem o pressentimento e a lembrança do flagelo. Havia coisas à nossa volta das quais não posso dar fiel testemunho - coisas materiais e espirituais - a atmosfera pesada - a sensação de sufocamento - ansiedade - e, sobretudo, aquela terrível condição de existência experimentada pelas pessoas nervosas, quando os sentidos estão vividamente aguçados e o poder da reflexão jaz adormecido. Um peso morto acabrunhava-nos. Oprimia nossos ombros, o mobiliário da sala, as taças de que bebíamos. Todas as coisas estavam opressas e prostradas; todas as coisas, exceto as sete lâmpadas de ferro a iluminar nossa orgia. Elevando-se em filetes de luz, queimavam pálidas e imóveis. No espelho que seu brilho formava sobre a mesa redonda de ébano, cada um de nós revia a palidez do próprio rosto, e um brilho inquieto nos olhos baixos dos demais. Mesmo assim, ríamos e nos alegrávamos de modo histérico; cantávamos as doidas canções de Anacreonte; bebíamos generosamente, embora o vinho nos recordasse o sangue. Pois, além de nós, havia outra pessoa na sala - o jovem Zoilo. Morto, deitado de comprido, ali jazia amortalhado - o gênio e o demônio da cena. Mas, ai, não participava de nossa alegria, salvo pela face, retorcida pela doença, e pelos olhos, nos quais a morte extinguira apenas a meio o fogo da pestilência, e que pareciam, face e olhos, ter por nossa diversão o mesmo interesse que têm os mortos pelas diversões dos prestes a morrer. Embora eu, Oinos, percebesse estarem os olhos do cadáver fixos e mim, ainda assim tentava ignorar-lhes a amargura e, contemplando firmemente as profundezas do espelho de ébano, cantava em voz alta e sonora as canções do filho de Teios. Aos poucos, porém, acabaram-se minhas canções, e os ecos, perdendo-se por entre os negros reposteiros da sala, enfraqueceram, tornaram-se indistintos, calaram-se de todo. Mas, ai, dos mesmos reposteiros dos quarto, estendeu-se em seguida sobre a superfície da porta de bronze. Mas a sombra era vaga, e sem forma, e indefinida, não era sombra de homem nem de deus - nem do deus da Grécia, nem do deus da Caldeia, nem de qualquer deus egípcio. E a sombra jazia sobre o bronzeo portal, sob a cornija arqueada, e não se movia, nem dizia palavra: permanecia imóvel e muda. E a porta sobre a qual jazia a sombra, sem bem me lembro, estava encostada aos pés do jovem Zoilo amortalhado. E nós, os sete ali reunidos, tendo visto a sombra sair de entre os reposteiros, não ousávamos encará-la; desviávamos os olhos, mirávamos fixamente as profundezas do espelho de ébano. Por fim, eu, Oinos, articulando algumas palavras surdas, indaguei da sombra qual era seu nome e morada.  E a sombra respondeu:

- Eu sou a SOMBRA. Minha morada fica perto das catacumbas de Ptolemais, junto daquelas sombrias planícies de Helusion que bordejam o canal de Caronte.

E então nós, os sete, erguemo-nos de nossas cadeiras, horrorizados, trêmulos, enregelados, espavoridos. Porque o tom de voz da sombra não era o tom de voz de nenhum ser individual, mas de uma multidão de seres, e, variando de cadência, de sílaba para sílaba, ecoou confusamente aos nossos ouvidos, com os acentos familiares e inesquecíveis das vozes de milhares de amigos mortos.


Edgar Allan Poe | 1835
Trad.: José P. Paes


In love this way

 


When I'm with you all the world goes away


I am a Baumanist!


Brief encounter

I love someone, she must have deserved it in some way.

Self-love prompts us to ‘‘stick to life’’, to try hard to stay alive for better or worse, to resist and fight back against whatever may threaten the premature or abrupt termination of life, and to protect, or better still beef up our fitness and vigour to make that resistance effective.

Self-love can prod us to reject a life that is not up to our love’s standards and therefore unworthy of living.

These days


To speak of home in relation to a building is simply to recognise its harmony with our own prized internal song. Home can be a library, a garden or a motorway diner.

We need a home in the psychological sense as much as we need one in the physical: to compensate for a vulnerability. We need a refuge to shore up our states of mind, because so much of the world is opposed to our allegiances. We need our rooms to align us to desirable versions of ourselves and to keep alive the important, evanescent sides of us.

Liquid love


The "pure relationship" tends to be the prevailing form of human togetherness today, entered "for what can be derived by each person" and "continued only in so far as it is thought by both parties to deliver enough satisfactions for each individual to stay within it".

The present-day "pure relationship", in Giddens’s description, is not, 
as marriage once was, a "natural condition" whose durability can be taken for granted short of certain extreme circumstances. It is a feature of the pure relationship that it can be terminated, more or less at will, by either partner at any particular point. For a relationship to stand a chance of lasting, commitment is necessary; yet anyone who commits herself without reservations risks great hurt in the future, should the relationship become dissolved.
If you know that your partner may opt out at any moment, with or without your agreement (as soon as they find that you, as the source of their enjoyment, have been emptied of your potential, holding little promise of new joys, or just because the grass appears greener on the other side of the fence), investing your feelings into the current relationship is always a risky step. Investing strong feelings in your partnership and taking an oath of allegiance means taking an enormous risk: it makes you dependent on your partner (though let us note that dependency, now fast becoming a derogatory term, is what the moral responsibility for the Other is all about.

Zygmunt Bauman
1925 - 2017

The origins of totalitarism

 
Hannah Arendt’s library card 
Bibliotheque Nationale de France | 1939

That the authority of the nation-state itself depended largely on the economic independence and political neutrality of its civil servants becomes obvious in our time; the decline of nations has invariably started with the corruption of its permanent administration and the general conviction that civil servants are in the pay, not of the state, but of the owning classes.

31.3.25

Liquid love

 

The fading of sociality skills is boosted and accelerated by the tendency, inspired by the dominant consumerist life mode, to treat other humans as objects of consumption and to judge them after the pattern of consumer objects by the volume of pleasure they are likely to offer, and in ‘value for money’ terms. At best, the others are valued as companions-in-the-essentially-solitary-activity of consumption; fellows in the joys of consumption, whose presence and active participation may intensify those pleasures. In the process, the intrinsic value of others as unique human beings (and so also the concern with others for their own, and that uniqueness’s, sake) has been all but lost from sight. Human solidarity is the first casualty of the triumphs of the consumer market.

Por que não me ufano


Solidariedade, compaixão, troca, ajuda, gentileza e simpatias mútuas são noções, no mínimo, estranhas ao pensamento econômico global e abominado pela prática econômica, sobretudo em um país subdesenvolvido como o Brasil.

A periferia do capitalismo jamais será um país cujos habitantes não são concorrentes e objeto de uso e consumo. Um país de colegas no esforço contínuo e interminável de construir uma boa sociedade, de fundar um sociedade de gente letrada é inimaginável. Não vai acontecer.

Por trás da “sociabilidade humana” esconde o capital descontrolado e desigual colocando os subalternos numa eterna competição. É loucura. Uma sociedade funcionando neste ritmo não poderá ter êxito.

Os sucedâneos comercializados substituíram por completo os vínculos humanos. E o dinheiro para sempre será a única coisa mais importante para o terceiro mundista.

A era da descartabilidade


O Brasil é uma sociedade treinada para medir os valores apenas em dinheiro e para identificá-los com as etiquetas de preços colocadas em objetos e serviços compráveis e vendáveis. Tudo é mercantilizado, até o conceito amor foi totalmente remodelado sob a forma de consumo. O pretendente, neste contexto, pode ser descartado como um copo de plástico depois de usado.

30.3.25

Liquid love


As consuming (and spending) more than yesterday but (hopefully) not as much as tomorrow becomes the royal road to the solution of all social problems, and as the sky becomes the limit for the pulling power of successive consumer attractions, debt-collector companies, security firms and penitentiary outfits become major contributors to the growth of GNP. It is impossible to measure exactly the enormous and growing part played in pushing the GNP statistics upwards by the stress emitted by the liquid modern consumer’s life-consuming preoccupations.

Liquid love

 

The virtual proximity coin is virtual distance: suspension, perhaps even cancellation, of anything that made topographical closeness into proximity. Proximity no longer requires physical closeness; but physical closeness no longer determines proximity.

It is an open question which side of the coin did the most to make the electronic network and its implements of entry and exit such a popular and eagerly used currency of human interaction. Was it the new facility of connecting? Or was it the new facility of cutting the connection? There is no shortage of occasions when the second feels more urgent, and matters more, than the first.

The advent of virtual proximity renders human connections simultaneously more frequent and more shallow, more intense and more brief. Connections tend to be too shallow and brief to condense into bonds. Focused on the business in hand, they are protected against spilling over and engaging the partners beyond the time and the topic of the message dialled and read – unlike what human relationships, notoriously diffuse and voracious, are known to perpetrate. Contacts require less time and effort to be entered and less time and effort to be broken. Distance is no obstacle to getting in touch – hut getting in touch is no obstacle to staying apart. Spasms of virtual proximity end, ideally, without leftovers and lasting sediments. Virtual proximity can be, both substantively and metaphorically, finished with nothing more than the press of a button.

De la musique


Your could even read me your poetry

Love and capital


Para a época, era um escândalo um homem mais jovem se casar com uma mulher mais velha. Karl Marx era quatro anos mais novo que Jenny von Westphalen. Tal relação entre os sexos ia na contramão às normas de masculinidade. E o interessante dessa história é que antes de formular suas teorias comunistas e da absorção das ideias radicais dos jovens Hegelianos ateus, o casamento de Marx foi sua primeira manifestação de rebelião contra a sociedade burguesa.

"O desprezo pela felicidade não é a condição do realismo; e a cruel miséria de Marx não nos deve fazer esquecer que Jenny von Westphalen era a mais bela jovem de Treves".

 

Dialética da família

Os conservadores têm tradicionalmente ignorado a formação da família e tentado abertamente enfraquecê-la alegando a superioridade patriarcal e as restrições colocada às filhas-fetiches impedindo a realização individual. 

A princesa está proibida de conhecer demônio marxista, nenhum satã da revolta contaminará o sangue puro da minha raça privilegiada, ordena o chefe da família. 

No seio da família tradicional não há tentativa de criar sociedades em outra base ou mesmo melhorar o que há por aí nas esquinas do subdesenvolvimento. É preciso manter as relações de poder e de assujeitamento, garantir o status quo. Para a bela da pequena burguesia conseguir se realizar na vida é necessário submeter-se à decisão do patriarca e reproduzir a relação de subalternidade com veneração. Nada se ganha abandonando o edredom da sagrada família. Nem mesmo uma vaga nalguma estrutura pública em ruínas.


29.3.25

Por que não me ufano


A obsessão do dinheiro e todo o conflito que ela traz consigo imiscuem-se nas relações eróticas mais ternas e nas relações mais sublimes.

Note que hoje temos todas as forças materiais e intelectuais para realizar uma nova sociedade (ou ao menos construir uma boa sociedade), mas por falta de organização e consciência o sistema atual (com suas desigualdades econômicas e desigualdades socioespaciais) continua triunfando. E não nos deixemos enganar quando o capitalismo consegue se reestruturar ou reconverter sob novas formas.

Dialética da família


A infidelidade conjugal, prometida e teorizada como remédio definitivo para a curva natural descendente que está implícita na relação sexual duradoura, coincide paradoxalmente com a mais cínica e vazia prática moral da pequena burguesia. É precisamente o modelo da relação sexual duradoura que mostra claramente como todas as utopias, tão logo se tenta concretizá-las de maneira positiva, resultam coercitivas e, em última instância, reacionárias; para descrever a situação de libertação, elas dispõem apenas de categorias oriundas da reificação e da repressão.

Por que não me ufano


Leve em consideração que uma proposta teórica e política séria de libertação da mulher, de igualdade entre os sexos e de superação da paranoica família pequeno burguesa não está no horizonte do terceiro mundista. E a referência a um futuro onde a qualidade de vida (a construção de uma boa sociedade) seja levado à cabo não passa de uma ilusão.

Inventar novas formas familiais a partir da transformação da totalidade das relações sociais e individuais não será prática do brasileiro, que faz de tudo para manter a ideologia capitalista, para o terceiro mundista o dinheiro é a única coisa mais importante. No Brasil, ninguém irá romper a crosta das relações capitalistas de produção que sufoca as relações humanas.

Dialética da família


Na família socialista o desejo do amor, expressão moral e estética do desejo sexual, assume o primeiro plano antes mesmo das inclinações puramente sociais, como a busca do dever, da dignidade, da beleza, às quais está estreitamente ligado ao desejo do amor. A monogamia socialista deriva diretamente da virtude e não da sua economia.

A família pequeno burguesa é o local onde o fascismo, o velho e o novo, tenta restaurar, mediante a figura do pai, as relações autoritárias que o Estado está democraticamente avocando para si.

Sigmund Freud racionaliza a perseguição dos filhos pelos pais, perseguição que inúmeras vezes chegou à nossa consciência através da mitologia grega mas também - como Lévi-Strauss mostrou exaustivamente - de toda a humanidade, de qualquer época e de qualquer lugar.

A estrutura da família é o resultado do desenvolvimento do capitalismo monopolista. Esposa e cortesã são os polos opostos e complementares da alienação feminina no mundo patriarcal: a esposa troca o prazer pelo sólido ordenamento da vida da posse, enquanto a cortesã - em secreta aliança com ela - volta a submeter à posse o que os direitos da esposa deixam livre, e vende o prazer.

Manifesto del partito comunista


Su che cosa si basa la famiglia odierna, la famiglia borghese? Sul capitale, sul guadagno privato. Nel suo pieno sviluppo la famiglia odierna esiste soltanto per la borghesia; ma essa trova il suo complemento nella forzata mancanza di famiglia dei proletari e nella prostituzione pubblica.

28.3.25

Dialética da família

A família pequeno burguesa é um simples reflexo das relações de produção na sociedade capitalista. A monogamia é falsa e tem como real contrapartida a sua dupla moral: a da prostituição e do adultério para manter as relações de poder e o status quo.


Dialética da família


A família cria o seu próprio inimigo interno contra o que ela mesma oprime e que, ao mesmo tempo, lhe é essencial, o feminino para a manutenção do status quo.

A família burguesa é a institucionalização de uma esfera privada repressora.

A família pequeno burguesa tem um medo da contaminação marxista, a angústia dos pais de ver a prole envolvida em teorias revolucionárias chega a ser divertido.

Modern times


In the age of digitalization, the people is doomed to remain permanently incomplete and unfulfilled – even is now expected to be fixed by the joint efforts of miraculous fitness regimes and wonder drugs.

The combined effect of the poison and the antidote is to keep homo sapiens perpetually exploitation.

When the quality lets you down, you seek salvation on in quantity.

No future


The modern life is fraught with anxiety. There is always a suspicion that one is living a lie or a mistake. People don't trust each other anymore.

Patology


Marital or partnership crises look like specifically modern ailments, in the same way as corruption, cancer, alcoholism and suicide. Worse in underdeveloped countries.

Liquid love

 

The emaciated starvelings amidst the opulence of the consumer feast.

Respect is one edge of a two-edged sword of care, whose other edge is oppression. Indifference and contempt are two reefs on which many an earnest ethical intention has foundered, and moral selves need a lot of vigilance and navigation skills to sail safe between them.


Liquid love


Unfulfilled yearnings, 
love’s frustrations, 
fears of loneliness
and of being hurt, 
hypocrisy. 

Where to find joy, tenderness, affection?

What sunshine do you bring, my brow-eyed woman?


Melancholic woman let’s move to POA.

Hey gothic girl, time flies by. 
We got the same taste.

I see people come and go, living low, in penury 
It is time building a real home.

We're looking for a love that was never in our hearts. 
Are you ready?

Liquid love


The girl just wants to be
left alone with Marx and Engels for a while
she's writing in the style
of any riot girl

Consumerism is not about accumulating goods (who gathers goods must put up as well with heavy suitcases and cluttered houses), but about using them and disposing of them after use to make room for other goods and their uses.

Consumer life favours lightness and speed; also the novelty and variety that lightness and speed are hoped to foster and expedite. It is the turnover, not the volume of purchases, that measures success in the life of homo consumens.



27.3.25

Biopolítica


Love till death us do part, build bridges to eternity, give hostages to fate are illusions. The only important thing is money.

Os amantes, de René Magritte, são dois corpos sem rostos apenas enlaçados pelas convenções da sociabilidade. Os amantes não se amam, não se enxergam, as bocas não se tocam, nenhum dos dois conhece a sensualidade. A paixão frustrada e o desejo sexual reprimido são regras da sociedade vigilante, que controla os namorados. Do encontro dos sexos sufocados não há mais a possibilidade de nascer a cultura, de encantamento com o mundo. A sociedade recomenda trapos e condena a união.

Delusion


The union is illusionary like a beach and the experience is bound to be frustrating in the end.

Liquid love

 

Today, sexuality no longer epitomizes the potential for pleasure and happiness. It is no longer mystified, positively, as ecstasy and transgression, but negatively instead, as the source of oppression, inequality, violence, abuse, and deadly infection.

The entitlements of sexual partners have become the prime site of anxiety. What sort of commitment, if any, does the union of bodies entail? In what way, if any, does it bind the future of the partners? 
 
The fading of sociality skills is boosted and accelerated by the tendency, inspired by the dominant consumerist life mode, to treat other humans as objects of consumption and to judge them after the pattern of consumer objects by the volume of pleasure they are likely to offer, and in ‘value for money’ terms. At best, the others are valued as companions-in-the-essentially-solitary-activity of consumption; fellows in the joys of consumption, whose presence and active participation may intensify those pleasures. In the process, the intrinsic value of others as unique human beings (and so also the concern with others for their own, and that uniqueness’s, sake) has been all but lost from sight. Human solidarity is the first casualty of the triumphs of the consumer market.

Zygmunt Bauman
1925 - 2017

A surplus humanity


Instead of being a focus for growth and prosperity, the cities have become a dumping ground for a surplus population working in unskilled, unprotected and low-wage informal service industries and trade.

Transitional poverty


Slum population, ghetto conditions, poorest city: juxtaposed with the nouveaux riches are the new urban poor.

Transitional poverty


In a dynamic market society cradle-to-grave social security is no longer feasible.

26.3.25

Global inequality


Fetishization of urban productivity

World Bank reconceptualized the public sector as a simple enabler of the marketplace.

The boom in exports all too frequently benefit only a tiny stratum.

The cities display shocking new extremes of overnight wealth and equally sudden misery.

Anti-Oedipus


The forms of social production, like those of desiring-production, involve an unengendered nonproductive attitude, an element of antiproduction coupled with the process, a full body that functions as a socius. This is the body that Marx is referring to when he says that it is not the product of labor, but rather appears as its natural or divine presupposition. In fact, it does not restrict itself merely to opposing productive forces in and of themselves. It falls back on (il se rabat sur) all production, constituting a surface over which the forces and agents of production are distributed, thereby appropriating for itself all surplus production and arrogating to itself both the whole and the parts of the process, which now seem to emanate from it as a quasi cause. Forces and agents come to represent a miraculous form of its own power: they appear to be "miraculated" (miracules) by it. In a word, the socius as a full body forms a surface where all production is recorded, whereupon the entire process appears to emanate from this recording surface. Society constructs its own delirium by recording the process of production; but it is not a conscious delirium, or rather is a true consciousness of a false movement, a true perception of an apparent objective movement, a true perception of the movement that is produced on the recording surface.

De la musique


I'll sing for you

Por que não me ufano


Percebam que a própria solidariedade da família brasileira desmoronou. O que poderia ser uma unidade que apoiava e sustentava os seus membros tornou-se hoje uma unidade cujos membros competem pela sobrevivência, além da competição impiedosa que se tornou norma da economia do mercado informal e formal.

O Brasil tem uma desigualdade econômica tão abissal que não adianta migrar para regiões paupérrimas para economizar despesas com a moradia. Na periferia do capitalismo, vive-se muito abaixo do padrão de vida mínima. É assustador saber que não há projeto para as cidades do terceiro mundo recuperar o terreno e fechar os abismos de desigualdade.

The report show how police (Commissioner De Rochebrune) observed Diderot:


He is a young man who plays the wit and prides himself on his impiety; very dangeorus; speaks of the holy mysteries with scorn. He said that when he gests to the end of his life; he will confess and receive [in communion] what they call god, bur not from any obligation; merely out of regard for his family, so that they will not be reproached with the fact that he died without religion.

25.3.25

Philosophers trim the tree of knowledge


The philosophes persecuted or disdained, they battled alone, fighting for future generations who would grant them the recognition that their contemporaries had refused.

D'Alembert he celebrated the man of letters as the lone warrior in the struggle for civilization, and went on to issue a declaration of independence for gens de lettres as a social group. Although they had been humiliated and ignored, they deserved well of mankind because they had carried the cause of Enlightenment forward since the Renaissance and especially since the reign of Louis XIV, when the "philosophic spirit" began to set the tone in polite society. This view of history owed a great deal to Voltaire, who had proclaimed the importance of men of letters in the Lettres philosophiques (1734) and then identified them with the progressive drive in history in Le siecle de Louis XIV (1751). Voltaire's own contributions to the Encyclop'edie, notably in the article GENS DE LETTRES, developed the same theme and made its implications clear. History advanced through the perfection of the arts and sciences; the arts and sciences improved through the efforts of men of letters; and men of letters provided the motive force for the whole process by functioning as philosophes. "It is this philosophic spirit that seems to constitute the character of the men of letters." The article PHILOSOPHE made much the same point. It was adapted from the celebrated tract of 1743, Le Philosophe, which established an ideal type — the man of letters committed to the cause of Enlightenment. The philosophes came to be recognized or reviled as a kind of party, the secular apostles of civilization, in opposition to the champions of tradition and religious orthodoxy. Many of them contributed to the Encyclopédie — so many, in fact, that Encydopediste and philosophe became virtual synonyms, and both terms crowded out their competitors — savant, érudit, gens d'esprit — in the semantic field covered by the general expression gens de lettres. D'Alembert contributed to this shift in meaning by glorifying his fellow philosophes as the ultimate in gens de lettres, the heirs to Newton and Locke, at the end of the Discours préliminaire. The entire Encyclopédie proclaimed itself to be the work of "a society of men of letters" on its title page, while its friends and enemies alike identified it with philosophie. It seemed to embody the equation civilization = gens de lettres = philosophes and to funnel all the progressive currents of history into the party of Enlightenment.

Robert Darnton

A leitura


As obras literárias têm uma importância muito grande na evolução das mentalidades. A literatura serve como fruição estética e redescoberta de si, ela permite ao leitor entender-se melhor. 

O texto ficcional pode ser uma fábula moral, um retrato dos costumes, uma denúncia política, uma análise psicológica e uma reflexão sobre a prática de leitura. O texto tem poderes de narração da filosofia e tramas de captação da realidade.

Por sua vez, os textos mais poderosos romperam com os valores tradicionais e renovaram o horizonte de suas épocas. Alguns, mesmo publicados há alguns séculos, continuam muito atuais.

A leitura nunca foi uma atividade neutra. Assim vale para a escritura, aliás, escrever significa entrar em combate contra a mentalidade reacionária e as injustiças históricas. É exercer o direito de crítica.

Latifúndio da comunicação

O consumo coletivo de desinformação e o apego aos conteúdos que nada ensinam se tornaram dominantes na rede digital. As pessoas estão condicionadas e o sistema está privando a maior parte delas de qualquer mapeamento cognitivo.

Percebam que a vida cotidiana do subdesenvolvido está repleta de mentiras e falações de merda que se sobrepõem formando um entulho tóxico. E esse escombro de lixo não para de aumentar.

Nesta ruína epistemológica, a capacidade das pessoas de enfrentar a realidade e mudar as circunstâncias de injustiça desapareceu.

Hoje, burgueses e operários não têm projeto de vida alternativa. Não há futuro.


24.3.25

Il formaggio e i vermi


Menocchio surely had not gone beyond an elementary level of schooling: learning to write must have cost him an enormous effort - a physical effort as well, from the evidence of certain marks that give the impression of having been cut in wood rather than written on paper.

Philosophers trim the tree of knowledge


The morphological and epistemological arguments of the Diderot and d'Alembert combined to cut orthodox religion off the map, to consign it to the unknowable, and thus to exclude it from the modern world of learning.

Por que não me ufano


A prática de leitura e sua irmã a crítica literária são exercícios de vigilância intelectual. Voltar para as significativas obras do passado, que foram esquecidas pelo lumpencomentariado virtual, é uma das tarefas do professor de literatura e do leitor ideal, ainda mais em geografia minada como a do Brasil onde a nacionalidade analfabeta cada dia mais se orgulha de sua ignorância, onde a formação escolar de má qualidade é a ordem, e a cidadania fora reduzida aos estímulos dos algoritmos da mídia digital.

Marxism


O Manifesto Comunista continua a ser um dos textos mais influentes e um dos mais temidos da era moderna. Nenhum outro texto da história da literatura causou tanto impacto no mundo. Os teóricos revolucionários contribuíram, com essa nova e poderosa visão, para a existência de um novo gênero textual: o gênero manifesto.

23.3.25

Theses on Feuerbach


The materialist doctrine that men are products of circumstances and upbringing, and that, therefore, changed men are products of other circumstances and changed upbringing forgets that it is men who change circumstances and that the educator must himself be educated. Hence, this doctrine is bound to divide society into two parts, one of which is superior to society (in Robert Owen for example).

The coincidence of the changing of circumstances and of human activity can be conceived and rationally understood only as revolutionary practice.

Written by Karl Marx
slightly edited by Frederick Engels

Por que não me ufano


Todas as práticas sociais na periferia do capitalismo são um teatro no qual se representam de maneira clara a estratificação social e as relações de poder.

A cultura técnica capitalista continua produzindo indivíduos maus, desumanos, impiedosos, machos e desagradáveis.

Em face a expansão da falação de merda é necessário uma análise do discurso que situe na história dos subdesenvolvidos o seu triunfo.

Por que o subdesenvolvido se droga?

O Brasil é uma terra na qual fascistas e bandidos prosperam e os drogados se multiplicam feito ratos e pombos. A falta de cultura letrada faz com que as pessoas se droguem para preencher um vazio que não compreendem, alguma situação que causa desânimo, angústia ou desespero. Drogar-se também serve de compêndio à religião. Os habitantes primitivos estão sempre sem entender o próprio vazio (carência de instrução) e necessitam se drogar. O medo de descobrir que o seu lugar é uma merda na sociedade, que é na verdade o medo de ter consciência de seu lugar no mundo faz com que o pobre busque a "iluminação" na droga. E o impotente e carente de instrução necessita recorrer à magia da religião, da indústria cultural e do alucinógeno para pode dar um sentido a sua existência alienada. E mesmo assim não encontra sentido. A falta de estrutura costuma aprofundar essa condição.

Note como a grande maioria das pessoas do terceiro mundo não sabe se expressar com fundamento. Isso é fato, está nas redes, na boca dos influencers, na arena política. Falar sem pensar é uma atitude do pirado e a falta de cultura piora a vida do sedado, pior ainda para o pobre, porque o rico ignorante pode se drogar caminhando em Paris. 

Todavia, seja rico ou seja pobre, drogar é um fenômeno dos que são culturalmente inseguros e muito ruins criativamente. Não é a toa que existem muitos jovens e adultos dopados na periferia do capitalismo, em todas as classes sociais. Mas o drogado ignorante desclassificado e pobre se torna uma peça descartável mais fácil ou um instrumento fundamental para os fascistas locais. No fim das contas, é uma crise cultural, as pessoas preferem se drogar a ler, por exemplo, a cultivar o jardim ou simplesmente a viver em harmonia. Construir uma boa sociedade não é mais viável.


A semiótica como modelagem


A semiótica só pode se fazer enquanto crítica da semiótica, que leva a outra coisa que não à semiótica: à ideologia. Por esse caminho, que Marx foi o primeiro a praticar, a semiótica se torna na história do saber o ponto onde se rompe a tradição, pela qual e na qual a ciência se apresenta como um círculo fechado sobre si mesmo, a mediatização, remetendo o fim ao começo, que constitui a base simples do processo, mas esse círculo é, além disso, em círculo dos círculos, por cada membro, enquanto animado pelo método, é uma reflexão sobre si, que, pelo fato de retornar ao começo, é ele próprio, o iniciar de um novo membro.

Poder-se-ia sustentar que a semiótica é a ciência das ideologias, mas também uma ideologia das ciências.

Julia Kristeva

22.3.25

A semiótica e a produção


A grande novidade da economia marxista era pensar o social como um modo de produção específico. O trabalho deixa de ser uma subjetividade ou uma essência do homem: Marx substitui o conceito de um poder sobrenatural de criação (Crítica de Gotha) pelo da produção, visto sob seu duplo aspecto: processo de trabalho e relações sociais de produção, cujos elementos participam de uma combinatória de lógica particular. Em Marx a produção é colocada em termos de uma problemática e de uma combinatória que determina o social (ou o valor), ela só é estudada do ponto de vista do social (do valor), portanto, da distribuição e da circulação das mercadorias, e nunca do interior da própria produção. O estudo que Marx empreende é um estudo da sociedade capitalista, das leis de troca e do capital.

Marx é levado a estudar o trabalho enquanto valor, a adotar a distinção valor de uso valor de troca e - sempre seguindo as leis da sociedade capitalista - a estudar apenas o último. A análise marxista incide sobre o valor de troca, ou seja, sobre o produto do trabalho posto em circulação: o trabalho advém no sistema capitalista como valor (quantum de trabalho) e é como tal que Marx analisa sua combinatória (força de trabalho, trabalhadores, patrões; objeto de produção, instrumento de produção).

Marx coloca os problemas claramente: do ponto de vista da distribuição e do consumo social ou, digamos, da comunicação, o trabalho é sempre um valor, de uso ou de troca. Em outros termos: se na comunicação os valores são sempre infalivelmente cristais de trabalho, o trabalho não representa nada fora do valor no qual se cristaliza. O trabalho-valor é mensurável através do valor que é, e não de outro modo: mede-se o trabalho pela quantidade de tempo social necessário à produção.

A reflexão crítica de Marx sobre o sistema de troca faz pensar na crítica contemporânea do signo e da circulação do sentido: o discurso crítico sobre o signo, além disso, não deixa de ser reconhecido no discurso crítico sobre o dinheiro.

Julia Kristeva

Science


Where epistemology forward, 
metaphysics backward.

Encyclopédie


By subjecting religion to philosophy, Diderot and d'Alembert effectively dechristianize it.

Por que não me ufano

Leve em consideração que o brasileiro é um povo ainda pré-social, vive como os brutos hobbesianos, no bárbaro direito da desigualdade.

A degradação musical corresponde a degradação política e educacional do Brasil, a comunicação oral não é importante, nunca foi. Nem mesmo a opressão econômica consegue despertar no brasileiro o bom senso e uma ética. A boa sociedade jamais será construída.


Marx's concept of man


It is one of the peculiar ironies fo history that there are no limits to the misunderstanding and distortion of theories, even in an age when there is unlimites acess to the sources; there is no more drastic example of this phenomenon than what has happened to the theory of Karl Marx in the last few decades. There is continuous reference to Marx and Marxism in the press, in the speeches of politicians, in books ans articles written by respectable social scientists and philosophers; yet with few exceptions, it seems that the politicians and newspapermen have never as much as glanced at a line written by Marx, and that the social scientists are satisfied with a minimal knowledge of Marx. Apparently they feel safe in acting as experts in this field, since nobody with power and status in the social-research empire challenges their ignorant statements.

Eric Fromm
1900 - 1980

Law of capitalist accumulation

 

The law in accordance with which a continually increasing quantity of the means of production can, thanks to the advance in the productivity of social labor, be set in motion by a progressively diminishing expenditure of human energy-this law, in a capitalist society (where the worker does not make use of the means of production, but where the means of production make use of the worker), undergoes a complete inversion, and is expressed as follows: the higher the productivity of labor, the greater is the pressure of the workers on the means of employment; and the more precarious, therefore, becomes their condition of existence, namely the sale of their own labor power for the increasing nf another’s wealth, or to promote the self-expansion of capital. Under capitalism, likewise, the fact that the means of production and the productivity of labor grow more rapidly than does the productive population, secures expression in an inverse way, namely that the working population always grows more quickly than capital’s need for self-expansion.

All the methods for the production of surplus value are at the same time methods of accumulation; and, conversely, every extension of accumulation becomes a means for the development of the methods of production. The result is that, in proportion as capital accumulates, the condition of the worker, be his wages high or low, necessarily grows worse. Thanks to the working of this law, poverty grows as the accumulation of capital grows. The accumulation of wealth at one pole of society involves a simultaneous accumulation of poverty, labor torment, slavery, ignorance, brutalization, and moral degradation, at the opposite pole-where dwells the class that produces its own product in the form of capital.

Political economists have in various ways draw attention to this inherent contradiction in capitalist accumulation, although in their disquisitions they confound it with phenomena which, though to some extent analogous, are essentially distinct - belonging as they do to pre-capitalist methods of production.

Ortes, the Venetian monk, who was one of the greatest economists of the eighteenth century, regards this contradictory character of capitalist production as a general natural law of social wealth. He writes:
"In the economy of a nation, good and evil always balance each other; abundance of wealth for some is invariably counterpoised by the lack of wealth for others. Great wealth for some is ever accompanied by an absolute privation of the necessaries of life for a much larger number of persons. The wealth of a nation corresponds with its population, and its poverty corresponds with its wealth. Diligence in some compels idleness in others. The poor and the idle are a necessary consequence of the rich and the active", and so on.
About ten years after Ortes, Townsend, the High Church parson, writing with characteristic brutality, glorified poverty as the necessary condition of wealth. Legal constraint [to labor] is attended with too much trouble, violence, and noise; whereas hunger is not only a peaceable, silent, unremitted pressure, but, as the most natural motive to industry and labor, it calls forth the most powerful exertions". Everything, therefore, depends upon making hunger permanent in the ranks of the working class; and for this, according to Townsend, the principle of population, especially active among the poor, provides. "It seems to be a law of nature that the poor should be to a certain degree improvident" [so improvidente as to be born without a silver spoon in the mouth], "that there may always be some to fulfill the most servile, the most sordid, and the most ignoble offices in the community. The stock of human happiness is thereby much increased, whilst the more delicate are not only relieved from drudgery. But arc left at liberty w ithout interruption to pursue those callings which are suited to their various dispositions".

Finally, hear Destutt de Tracy, the cold-blooded bourgeois doctrinaire, who bluntly tells us the truth: "In poor nations the common people are comfortable; in rich nations they are generally poor".

Karl Marx
1818 - 1883

21.3.25

Theses on Feuerbach

 

Feuerbach starts out from the fact of religious self-alienation, the duplication of the world into a religious, imaginary world and a real one. His work consists in the dissolution of the religious world into its secular basis. He overlooks the fact that after completing this work, the chief things still remains to be done. For the fact that the secular foundation detaches itself from itself and establishes itself in the clouds as an independent realm is really only to be explained by the self-contradictoriness of this secular basis. The latter must itself, therefore, first be understood in its contradiction and then, by the removal of the contradiction, revolutionized in practice. Thus, for instance once the earthly family is discovered to be the secret of the holy family, the former must then itself be criticized in theory and revolutionized in practice.

Por que não me ufano

 

Leio na rede social muitas pessoas lamentado as condições do sistema educacional. O léxico mais recorrente é a insalubridade do meio ambiente. E não é mentira, eu lecionei, eu vi de perto a arquitetura prisional, a carência de leitura de muitos professores, presenciei os assédios morais e as adulações, a competição interna, as censuras, as perseguições sistêmicas e o macarthismo administrativo. Conheço pessoas que sentem náuseas ao passar perto de uma escola. Sem contar o desgaste psicológico e a desvalorização do corpo docente. Além disso, tem outra. A subjetividade da garotada está completamente destruída. Nenhum professor sério consegue lecionar para os firewalls da fé que cantam em uníssono Baile de Favela, Cabeça Branca, entre outros produtos vulgares da indústria nacional. E não são apenas os pirralhos, muitos "docentes" adoram esse tipo música dominante. O sistema é uma máquina da lama. É de notar, no entanto, que a educação universal é uma armadilha. Um embuste. Pois ela não buscou o rigor do ensino em termos científicos, não tem em seu objetivo geral formar uma massa crítica e não almeja construir uma sociedade de gente letrada.