3.4.25
Por que não me ufano
2.4.25
Por que não me ufano
1.4.25
Sombra - uma parábola
Foi um ano de terror, e de sentimentos mais intensos que o terror. Sentimentos para os quais até hoje não se achou nome apropriado. Muitos prodígios e sinais haviam ocorrido; em toda parte, sobre mar e terra, a pestilência estendera suas asas negras. Para aqueles versados nos astros, não passara despercebido o aspecto mórbido dos céus. Para mim, Oinos, o grego, assim como para outros, era óbvio que ocorrera a alteração do ano 794 quando, à entrada de Áries, o planeta Júpiter põe-se em conjunção com o rubro anel do terrível Saturno. O espírito peculiar dos céus, se não me engano demais, evidenciava-se não só na órbita física da Terra, como também nas almas, nas imaginações, nas meditações da humanidade.
Ao redor de algumas garrafas de rubro vinho de Quios, entre as quatro paredes de um nobre vestíbulo numa cidade sombria chamada Ptolemais, estávamos sentados, um grupo de sete, à noite. Para nossa câmara não havia outra entrada além da alta porta de bronze, trabalhada pelo artífice Corinos. Fruto de hábil artesanato, fora aferrolhada por dentro. Cortinas negras ocultavam-nos a vista da lua, das estrelas lúridas, das ruas despovoadas, embora não excluíssem o pressentimento e a lembrança do flagelo. Havia coisas à nossa volta das quais não posso dar fiel testemunho - coisas materiais e espirituais - a atmosfera pesada - a sensação de sufocamento - ansiedade - e, sobretudo, aquela terrível condição de existência experimentada pelas pessoas nervosas, quando os sentidos estão vividamente aguçados e o poder da reflexão jaz adormecido. Um peso morto acabrunhava-nos. Oprimia nossos ombros, o mobiliário da sala, as taças de que bebíamos. Todas as coisas estavam opressas e prostradas; todas as coisas, exceto as sete lâmpadas de ferro a iluminar nossa orgia. Elevando-se em filetes de luz, queimavam pálidas e imóveis. No espelho que seu brilho formava sobre a mesa redonda de ébano, cada um de nós revia a palidez do próprio rosto, e um brilho inquieto nos olhos baixos dos demais. Mesmo assim, ríamos e nos alegrávamos de modo histérico; cantávamos as doidas canções de Anacreonte; bebíamos generosamente, embora o vinho nos recordasse o sangue. Pois, além de nós, havia outra pessoa na sala - o jovem Zoilo. Morto, deitado de comprido, ali jazia amortalhado - o gênio e o demônio da cena. Mas, ai, não participava de nossa alegria, salvo pela face, retorcida pela doença, e pelos olhos, nos quais a morte extinguira apenas a meio o fogo da pestilência, e que pareciam, face e olhos, ter por nossa diversão o mesmo interesse que têm os mortos pelas diversões dos prestes a morrer. Embora eu, Oinos, percebesse estarem os olhos do cadáver fixos e mim, ainda assim tentava ignorar-lhes a amargura e, contemplando firmemente as profundezas do espelho de ébano, cantava em voz alta e sonora as canções do filho de Teios. Aos poucos, porém, acabaram-se minhas canções, e os ecos, perdendo-se por entre os negros reposteiros da sala, enfraqueceram, tornaram-se indistintos, calaram-se de todo. Mas, ai, dos mesmos reposteiros dos quarto, estendeu-se em seguida sobre a superfície da porta de bronze. Mas a sombra era vaga, e sem forma, e indefinida, não era sombra de homem nem de deus - nem do deus da Grécia, nem do deus da Caldeia, nem de qualquer deus egípcio. E a sombra jazia sobre o bronzeo portal, sob a cornija arqueada, e não se movia, nem dizia palavra: permanecia imóvel e muda. E a porta sobre a qual jazia a sombra, sem bem me lembro, estava encostada aos pés do jovem Zoilo amortalhado. E nós, os sete ali reunidos, tendo visto a sombra sair de entre os reposteiros, não ousávamos encará-la; desviávamos os olhos, mirávamos fixamente as profundezas do espelho de ébano. Por fim, eu, Oinos, articulando algumas palavras surdas, indaguei da sombra qual era seu nome e morada. E a sombra respondeu:
- Eu sou a SOMBRA. Minha morada fica perto das catacumbas de Ptolemais, junto daquelas sombrias planícies de Helusion que bordejam o canal de Caronte.
E então nós, os sete, erguemo-nos de nossas cadeiras, horrorizados, trêmulos, enregelados, espavoridos. Porque o tom de voz da sombra não era o tom de voz de nenhum ser individual, mas de uma multidão de seres, e, variando de cadência, de sílaba para sílaba, ecoou confusamente aos nossos ouvidos, com os acentos familiares e inesquecíveis das vozes de milhares de amigos mortos.
I am a Baumanist!
These days
Liquid love
as marriage once was, a "natural condition" whose durability can be taken for granted short of certain extreme circumstances. It is a feature of the pure relationship that it can be terminated, more or less at will, by either partner at any particular point. For a relationship to stand a chance of lasting, commitment is necessary; yet anyone who commits herself without reservations risks great hurt in the future, should the relationship become dissolved.
The origins of totalitarism
31.3.25
Liquid love
Por que não me ufano
A era da descartabilidade
30.3.25
Liquid love
Liquid love
Love and capital
"O desprezo pela felicidade não é a condição do realismo; e a cruel miséria de Marx não nos deve fazer esquecer que Jenny von Westphalen era a mais bela jovem de Treves".
Dialética da família
Os conservadores têm tradicionalmente ignorado a formação da família e tentado abertamente enfraquecê-la alegando a superioridade patriarcal e as restrições colocada às filhas-fetiches impedindo a realização individual.
A princesa está proibida de conhecer demônio marxista, nenhum satã da revolta contaminará o sangue puro da minha raça privilegiada, ordena o chefe da família.
No seio da família tradicional não há tentativa de criar sociedades em outra base ou mesmo melhorar o que há por aí nas esquinas do subdesenvolvimento. É preciso manter as relações de poder e de assujeitamento, garantir o status quo. Para a bela da pequena burguesia conseguir se realizar na vida é necessário submeter-se à decisão do patriarca e reproduzir a relação de subalternidade com veneração. Nada se ganha abandonando o edredom da sagrada família. Nem mesmo uma vaga nalguma estrutura pública em ruínas.
29.3.25
Por que não me ufano
Dialética da família
Por que não me ufano
Dialética da família
Manifesto del partito comunista
28.3.25
Dialética da família
A família pequeno burguesa é um simples reflexo das relações de produção na sociedade capitalista. A monogamia é falsa e tem como real contrapartida a sua dupla moral: a da prostituição e do adultério para manter as relações de poder e o status quo.
Dialética da família
Modern times
No future
Patology
Liquid love
Liquid love
What sunshine do you bring, my brow-eyed woman?
Liquid love
27.3.25
Biopolítica
Liquid love
A surplus humanity
Transitional poverty
Transitional poverty
26.3.25
Global inequality
Anti-Oedipus
Por que não me ufano
The report show how police (Commissioner De Rochebrune) observed Diderot:
25.3.25
Philosophers trim the tree of knowledge
A leitura
Latifúndio da comunicação
O consumo coletivo de desinformação e o apego aos conteúdos que nada ensinam se tornaram dominantes na rede digital. As pessoas estão condicionadas e o sistema está privando a maior parte delas de qualquer mapeamento cognitivo.
Percebam que a vida cotidiana do subdesenvolvido está repleta de mentiras e falações de merda que se sobrepõem formando um entulho tóxico. E esse escombro de lixo não para de aumentar.
Nesta ruína epistemológica, a capacidade das pessoas de enfrentar a realidade e mudar as circunstâncias de injustiça desapareceu.
Hoje, burgueses e operários não têm projeto de vida alternativa. Não há futuro.
24.3.25
Il formaggio e i vermi
Philosophers trim the tree of knowledge
Por que não me ufano
Marxism
23.3.25
Theses on Feuerbach
Por que não me ufano
Por que o subdesenvolvido se droga?
O Brasil é uma terra na qual fascistas e bandidos prosperam e os drogados se multiplicam feito ratos e pombos. A falta de cultura letrada faz com que as pessoas se droguem para preencher um vazio que não compreendem, alguma situação que causa desânimo, angústia ou desespero. Drogar-se também serve de compêndio à religião. Os habitantes primitivos estão sempre sem entender o próprio vazio (carência de instrução) e necessitam se drogar. O medo de descobrir que o seu lugar é uma merda na sociedade, que é na verdade o medo de ter consciência de seu lugar no mundo faz com que o pobre busque a "iluminação" na droga. E o impotente e carente de instrução necessita recorrer à magia da religião, da indústria cultural e do alucinógeno para pode dar um sentido a sua existência alienada. E mesmo assim não encontra sentido. A falta de estrutura costuma aprofundar essa condição.
Note como a grande maioria das pessoas do terceiro mundo não sabe se expressar com fundamento. Isso é fato, está nas redes, na boca dos influencers, na arena política. Falar sem pensar é uma atitude do pirado e a falta de cultura piora a vida do sedado, pior ainda para o pobre, porque o rico ignorante pode se drogar caminhando em Paris.
Todavia, seja rico ou seja pobre, drogar é um fenômeno dos que são culturalmente inseguros e muito ruins criativamente. Não é a toa que existem muitos jovens e adultos dopados na periferia do capitalismo, em todas as classes sociais. Mas o drogado ignorante desclassificado e pobre se torna uma peça descartável mais fácil ou um instrumento fundamental para os fascistas locais. No fim das contas, é uma crise cultural, as pessoas preferem se drogar a ler, por exemplo, a cultivar o jardim ou simplesmente a viver em harmonia. Construir uma boa sociedade não é mais viável.
A semiótica como modelagem
22.3.25
A semiótica e a produção
Por que não me ufano
Leve em consideração que o brasileiro é um povo ainda pré-social, vive como os brutos hobbesianos, no bárbaro direito da desigualdade.
A degradação musical corresponde a degradação política e educacional do Brasil, a comunicação oral não é importante, nunca foi. Nem mesmo a opressão econômica consegue despertar no brasileiro o bom senso e uma ética. A boa sociedade jamais será construída.
Marx's concept of man
Law of capitalist accumulation
"In the economy of a nation, good and evil always balance each other; abundance of wealth for some is invariably counterpoised by the lack of wealth for others. Great wealth for some is ever accompanied by an absolute privation of the necessaries of life for a much larger number of persons. The wealth of a nation corresponds with its population, and its poverty corresponds with its wealth. Diligence in some compels idleness in others. The poor and the idle are a necessary consequence of the rich and the active", and so on.